Bem, a teoria diz que para cada conjunto de cordas novas que se colocam numa guitarra, deve-se calibrar os
Harmónicos do cavalete/ponte,
o parafuso mágico do braço,
as molas do cavalete/ponte/trémulo se existir e a
altura das cordas ao braço/escala da guitarra.
Se utilizares sempre o mesmo modelo de cordas da mesma marca, poderás saltar alguns passos, nomeadamente o relativo aos harmónicos e ao parafuso mágico, por exemplo.
Passo a passo:
1º
trocar as cordas velhas pelas novas - caso se tenha uma guitarra com
trémulo tipo Floyd Rose, isto dever-se-á fazer corda a corda, ou seja tira-se uma velha, põe-se uma nova.
2º
calibrar os harmónicos - significa fazer com que os harmónicos naturais das cordas no 12º e 24º trastes correspondam exactamente às notas das cordas quando pressionadas nesses mesmos trastes. No caso de cavaletes tipo Tunomatic (Gibson style) ou Fender style, o processo é relativamente simples, basta apertar ou desapertar ligeiramente os parafusos que controlam as selas das cordas (peças onde as cordas acentam no cavalete). Isto deverá ser executado com um afinador cromático. O avançar ou recuar das selas fará o harmónico deslocar-se, de forma a que se sobreponha ao logar exacto (a tentativa erro é a chave deste processo, mas não deve demorar muito). No caso de se usar trémulos tipo floyd rose, verificar se o harmónico está desafinado/descalibrado, em caso positivo, desafinar a corda totalmente ou arranjar uma cunha para manter o cavalete travado na posição de "Dive Bomb" total, desapertar ligeiramente o parafuso que se encontra na sela (entre esta e o 1º PU) e ajustar a sela novamente para a frente ou para trás conforme a necessidade, apertar mt bem o parafuso referido e soltar calmamente e gradualmente o cavalete, verificando a afinação da corda e depois dos respectivos harmónicos (novamente a técnica tentativa erro é o prato do dia).
3º
Calibrar as molas do trémulo (se existir, se não saltar para o passo seguinte) - ao se apertar as molas, estas aplicarão uma maior tensão às cordas (eventualmente subir-lhes-ão o pitch), o contrário verifica o mesmo efeito na respectiva direcção, menos tensão, blablabla. O óptimo será ter as selas do cavalete quase ou totalmente horizontais, no sentido em que as cordas farão mais força do que as molas... isto pode ser comparado com o jogo da corda, com uns puxando para 1 lado e outros puxando no sentido contrário, só que aqui trabalhamos com elementos elásticos, molas e cordas. O ponto de equilíbrio será o das selas estarem horizontais, ou quase, mas de forma a que a equipa das cordas leve a melhor...

fui explícito?
4º
Calibrar o parafuso mágico do braço e a
altura das cordas (ponho aqui as duas e já vão perceber porquê). Há quem diga que o
braço deverá estar ligeiramente côncavo na direcção das cordas descrevendo um ligeiro arco. Isto impedirá algum trastejar e levantará as cordas da escala.
Eu não concordo e acho que se o braço estiver arqueado (seja num sentido, seja no outro),
vai estar em esforço, logo a caminho do empeno; por outro lado,
a fórmula para calcular as distâncias entre os trastes NÃO contempla este arqueamento. Por estas razões
penso que o braço deverá estar direito e isto pode verificar-se facilmente
vendo as suas variações de topo (do cavalete para a pestana vê-se melhor, embora o inverso tb seja válido). O arco do braço controla-se com o apertar ou desapertar do parafuso mágico (vulgarmente conhecido por
Truss Rod): apertando o parafuso, contraria-se a tensão que as cordas aplicam ao braço, desapertando, facilita-se essa tensão. Novamente se aplica o caso do jogo da corda acima referido.
A altura das cordas à escala mede-se no 12º traste e poderá ser controlada pelo cavalete. Normalmente esta distância não deverá exceder os 5 a 7 milímetros como altura máxima pois trona-se muito difícil de tocar, nem os 3, pois tocar torna-se quase impraticável e cheio de trastejar. O equilíbrio depende obviamente de cada um.
Se o cavalete for do tipo tunamatic ou floydrose, a altura regula-se nos parafusos laterais sobre os quais se apoiam as respectivas estruturas. No caso do cavalete ser tipo Fender, este ajuste é feito corda a corda, nas respectivas selas.
Nota final: entre cada passo deve-se verificar
sempre a afinação correcta das cordas (isto depende dos gostos de cada um e não faz sentido estar a falar sobre isto aqui) e a correcção na totalidade dos passos anteriores. No final, verifica-se tudo a reajusta-se o que fôr necessário.
Para mudanças de calibres de cordas torna-se imperativo fazer tudo.
Se possível, arranjar uma régua de nível e verificar com o braço direito (sem arqueamento - com cordas ou sem estas mas com o parafuso mágico totalmente desapertado) se os trastes estão nivelados. No caso da necessidade de renivelar os trastes ou mesmo substituí-los (só mesmo depois de MUITO uso ou MUITOS maus tratos) dever-se-á contactar alguém especializado.
Creio que não me esqueci de nada, se faltar, já sabem, acrescentem.
This post has been edited by tmo: 06 April 2004 - 23:40