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Quem, como o A Crack in the Cloud, esteve na passada quinta-feira no Music Box pôde testemunhar que o monstro de facto acordou, está bem vivo, ataca, contra-ataca e não deixa ninguém indiferente.
Os Punk Sinatra ofereceram uma prestação verdadeiramente estonteante, de cortar a respiração, que revelou – em todo o seu esplendor – não só a qualidade do seu álbum de originais, Ataca Contrataca O Monstro Acordou, mas também a coesão e elevado nível da performance colectiva.
Antecipados de uma animada Billy session e também das óptimas prestações de Brent e Dalmation, percebeu-se desde o primeiro minuto que nada nos podia ter preparado para o estava para vir…

Numa entrevista recente, os Punk Sinatra descreveram a sua música como “abrasiva”. Abrasivo e inflamado foi também o espectáculo que a banda proporcionou anteontem no Music Box, com a apresentação dos excelentes temas que compõem este Ataca Contrataca o Monstro Acordou, disponível integral e gratuitamente no site da banda no myspace, dos quais destacamos, por pura preferência pessoal, os contagiantes “Andas por Aí” e “Anti Anti”, os poderosíssimos “Estado de Sítio”, “Caminhar para o Zero” e “3º Mundo” ou o vertiginoso “Espírit’ de Subúrbio”.
De destacar ainda a prestação quase inenarrável, mas indiscutivelmente brilhante, de João Pedro Almendra, vocalista dos Punk Sinatra (e também dos Peste & Sida). Fiel à sua convicção de que "o punk é levantar a voz", mais uma vez mostrou bem o monstro (de palco) que é, de uma intensidade dramática e uma entrega incondicional, ímpares no panorama nacional e raras na cena internacional, vagamente reminiscentes da expressividade de Jello Biafra ou da sensualidade felínica de Iggy Pop.

Num país onde o trabalho é desprezado, desvalorizado e escandalosamente mal pago (já não há de facto paciência!), é de facto admirável que músicos (e tantos outros profissionais) como os Punk Sinatra persistam em produzir com este elevado nível e qualidade.
Contudo, e sem dúvida paradoxalmente, a música dos Punk Sinatra (assim como de bandas congéneres) resulta exactamente da vivência neste atoleiro que Portugal historicamente tem sido (e permanece) e num mundo contemporâneo inequivocamente marcado por uma regressão civilizacional, consequência directa e inevitável de um sistema económico essencialmente canibalístico.
“Não queremos mais heróis/Já não temos ilusões” (…) “Devemos obediência à burla e à fraude” (…) Quem paga o preço desta recessão / são aqueles que não ganham para o pão”
(“Mundo Rafeiro”)
É esta consciência exacerbada da contemporaneidade, o desencanto, a frustração, mas principalmente o inconformismo e a revolta perante o que os próprios designam como “Estado de Sítio” que estão impressas na música abrasiva, nas letras corrosivas e nas prestações inflamadas e marcantes dos Punk Sinatra.
"Não te iludas/há que respeitar/há que marcar pela diferença/e há que parar para pensar"
(Anti Anti)
Podemos estar a caminhar para o zero mas, com a sua música, os Punk Sinatra contrariam inquestionavelmente essa tendência. "Será que vês o que eu vejo?" perguntam-nos em "Nunca há Paciência". Sim, vemos, e isso faz com que melhor apreciemos este trabalho e o seu projecto, não apenas em termos musicais mas conceptuais.
Para acompanhar as novidades sobre os Punk Sinatra, aqui fica o link para o site da banda no myspace:
http://www.myspace.com/punksinatraband
Recomenda-se ainda a excelente entrevista à banda feita pelo blog Billy-News, disponível em
http://billy-news.bl...a.html#comments
ou, em suporte físico, no nº de Maio da revista Outsider.
...assim como a (igualmente excelente) entrevista a João Pedro Almendra feita pela jornalista Helena Durães, e cedida ao Billy-News, disponível em
http://billy-news.bl...r.html#comments
Os Punk Sinatra ofereceram uma prestação verdadeiramente estonteante, de cortar a respiração, que revelou – em todo o seu esplendor – não só a qualidade do seu álbum de originais, Ataca Contrataca O Monstro Acordou, mas também a coesão e elevado nível da performance colectiva.
Antecipados de uma animada Billy session e também das óptimas prestações de Brent e Dalmation, percebeu-se desde o primeiro minuto que nada nos podia ter preparado para o estava para vir…

Numa entrevista recente, os Punk Sinatra descreveram a sua música como “abrasiva”. Abrasivo e inflamado foi também o espectáculo que a banda proporcionou anteontem no Music Box, com a apresentação dos excelentes temas que compõem este Ataca Contrataca o Monstro Acordou, disponível integral e gratuitamente no site da banda no myspace, dos quais destacamos, por pura preferência pessoal, os contagiantes “Andas por Aí” e “Anti Anti”, os poderosíssimos “Estado de Sítio”, “Caminhar para o Zero” e “3º Mundo” ou o vertiginoso “Espírit’ de Subúrbio”.
De destacar ainda a prestação quase inenarrável, mas indiscutivelmente brilhante, de João Pedro Almendra, vocalista dos Punk Sinatra (e também dos Peste & Sida). Fiel à sua convicção de que "o punk é levantar a voz", mais uma vez mostrou bem o monstro (de palco) que é, de uma intensidade dramática e uma entrega incondicional, ímpares no panorama nacional e raras na cena internacional, vagamente reminiscentes da expressividade de Jello Biafra ou da sensualidade felínica de Iggy Pop.

Num país onde o trabalho é desprezado, desvalorizado e escandalosamente mal pago (já não há de facto paciência!), é de facto admirável que músicos (e tantos outros profissionais) como os Punk Sinatra persistam em produzir com este elevado nível e qualidade.
Contudo, e sem dúvida paradoxalmente, a música dos Punk Sinatra (assim como de bandas congéneres) resulta exactamente da vivência neste atoleiro que Portugal historicamente tem sido (e permanece) e num mundo contemporâneo inequivocamente marcado por uma regressão civilizacional, consequência directa e inevitável de um sistema económico essencialmente canibalístico.
“Não queremos mais heróis/Já não temos ilusões” (…) “Devemos obediência à burla e à fraude” (…) Quem paga o preço desta recessão / são aqueles que não ganham para o pão”
(“Mundo Rafeiro”)
É esta consciência exacerbada da contemporaneidade, o desencanto, a frustração, mas principalmente o inconformismo e a revolta perante o que os próprios designam como “Estado de Sítio” que estão impressas na música abrasiva, nas letras corrosivas e nas prestações inflamadas e marcantes dos Punk Sinatra.
"Não te iludas/há que respeitar/há que marcar pela diferença/e há que parar para pensar"
(Anti Anti)
Podemos estar a caminhar para o zero mas, com a sua música, os Punk Sinatra contrariam inquestionavelmente essa tendência. "Será que vês o que eu vejo?" perguntam-nos em "Nunca há Paciência". Sim, vemos, e isso faz com que melhor apreciemos este trabalho e o seu projecto, não apenas em termos musicais mas conceptuais.
Para acompanhar as novidades sobre os Punk Sinatra, aqui fica o link para o site da banda no myspace:
http://www.myspace.com/punksinatraband
Recomenda-se ainda a excelente entrevista à banda feita pelo blog Billy-News, disponível em
http://billy-news.bl...a.html#comments
ou, em suporte físico, no nº de Maio da revista Outsider.
...assim como a (igualmente excelente) entrevista a João Pedro Almendra feita pela jornalista Helena Durães, e cedida ao Billy-News, disponível em
http://billy-news.bl...r.html#comments
Blog "A CRACK IN THE CLOUD": http://crackinthecloud.blogspot.com

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